A mais recente sondagem da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), confirma o que já vinha aparecendo em levantamentos anteriores: o presidente mantém uma dianteira clara no primeiro turno — 40% das intenções de voto contra 28% do senador Flávio Bolsonaro —, mas o mapa eleitoral segue marcado por elementos que podem alterar o rumo da campanha.
Os números mostram estabilidade entre os dois nomes mais lembrados: Lula praticamente não variou em relação a junho (39% para 40%), e Flávio oscilou de 29% para 28%. Essa persistência dá ao presidente uma vantagem estrutural importante, sobretudo quando se observa o desempenho nos cenários de segundo turno: em todos os quatro confrontos testados pela Quaest, Lula aparece com 45% — à frente de Flávio (37%), Zema (35%), Caiado (36%) e Renan Santos (33%).
Um dado que merece atenção é o comportamento dos eleitores independentes, segmento estimado em cerca de um terço do eleitorado e que costuma decidir disputas equilibradas. Entre esses eleitores, Lula tem 30% enquanto Flávio pontua 15%. A margem de manobra ainda existe: 17% desses independentes declaram indecisão e outros 17% dizem que votarão em branco, anularão ou não irão votar. Soma-se a isso o índice de indecisos geral de 11% e um bloco de brancos/nulos de 8%, e fica claro que há espaço para surpresas.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, entrevistou 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos e registro no TSE (BR-07181/2026). Além das intenções de voto, a Quaest captou sinais políticos recentes: pela primeira vez desde dezembro de 2024, o índice de aprovação do governo ultrapassa o de desaprovação — 48% aprovam contra 47% que desaprovam — ainda que, na prática, haja empate técnico dentro da margem de erro.
Dois acontecimentos de repercussão foram incorporados ao levantamento: a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, no âmbito do caso Master, e a divulgação de vídeos por Michelle Bolsonaro nos quais ela expõe desavenças com o senador Flávio. Sobre o episódio de Michelle, 49% dos entrevistados dizem conhecer o vídeo enquanto 51% não tinham tido contato; 45% consideram que ela agiu corretamente ao divulgar o material e 38% entendem que ela errou. Entre eleitores que se identificam como de direita, mas não bolsonaristas, essa avaliação é mais favorável a Michelle (35%); entre os bolsonaristas, apenas 20% aplaudem a iniciativa. No conjunto, 42% dizem concordar mais com Michelle do que com Flávio, contra 18% que se posicionam ao lado do senador.
Quanto à operação contra Wagner, 54% afirmaram desconhecer o episódio até a pesquisa, mas 61% avaliam que o senador agiu de forma errada. A percepção de impacto sobre a campanha de Lula varia: 37% entendem que a investigação prejudica muito a candidatura, 25% afirmam que prejudica um pouco e 22% dizem que não há efeito negativo.
Outro contraste relevante do levantamento é a grande taxa de rejeição dos dois líderes e a baixa visibilidade das alternativas de direita. Enquanto 57% dizem que jamais votariam em Flávio Bolsonaro, 53% declaram o mesmo sobre Lula. Ao mesmo tempo, nomes colocados como alternativas — como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos — ainda são pouco conhecidos pelo eleitorado (44%, 50% e 77% não os conhecem, respectivamente).
Em síntese, a pesquisa mostra um cenário de vantagem confortável para Lula, sustentada por maior penetração entre eleitores independentes e por melhora na aprovação do governo. Mas a contabilidade eleitoral também exibe fragilidades: alta rejeição a ambos os principais nomes, baixos níveis de conhecimento das alternativas e a presença de temas judiciais e familiares com potencial de alterar percepções. Em um jogo em que 65% afirmam já ter definido o voto, os próximos episódios — e a capacidade dos contendores de transformar escândalos em narrativa política — podem ainda redesenhar a disputa.
Fonte: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral/noticia/2026/07/15/quaest-1o-turno-julho-lula-flavio-bolsonaro.ghtml