A estabilidade das pesquisas e o risco de estagnação política de Lula

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante convenção da Federação Brasil da Esperança (02.08.2026), Expo Center Norte, São Paulo - SP.

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A estabilidade das pesquisas e o risco de estagnação política de Lula

Com aprovação tecnicamente empatada com a desaprovação, ganhos sociais mostram perda de impulso — e o Brasil segue pessimista sobre seu rumo

06/ago/2026 3 min de leitura 1 visualizações

A mais recente sondagem da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos e divulgada em 5 de agosto de 2026, confirma algo que já vinha se delineando: aprovação relativa, porém frágil. Quarenta e oito por cento dos entrevistados dizem aprovar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 47% o reprovam; 5% não souberam ou não responderam. Com margem de erro de dois pontos percentuais e amostra de 2.004 eleitores colhida entre 31 de julho e 3 de agosto, os números mostram uma estabilidade numérica que, na política, pode esconder tanto consolidação quanto estagnação.

A leitura imediata é óbvia: aprovação e desaprovação estão tecnicamente empatadas. Mas é nas nuances que se encontra a advertência. Desde março, a aprovação oscilou entre 43% e 48% e estacionou agora no teto recente de 48%. A desaprovação teve trajetória inversa, caindo de picos próximos a 52% para o patamar atual de 47%. Essa espécie de equilíbrio pode ser lido como vitória para quem governa — governar com índices próximos aos do início do mandato é sinal de não queda —, mas também como sinal de que o arsenal de ganhos políticos não tem produzido avanços adicionais relevantes.

Os programas destinados a alavancar apoio, como a desoneração do Imposto de Renda e o chamado ‘Desenrola’, aparecem nas perguntas da pesquisa com um padrão claro: ajuda real, porém de efeito marginal decrescente. A percepção de que o Desenrola é uma boa proposta caiu de 55% para 47%; a parcela que afirma ter recebido benefício direto recuou de 12% para 10%. Entre os que foram abrangidos pelo programa, a proporção que relatava um impacto significativo na renda caiu de 35% para 26% entre junho e agosto. No caso da isenção do IR, 30% dizem ter sido beneficiados, contra 32% em julho; e entre esses beneficiados aumentou a fatia que não notou mudança na renda (de 39% para 46%), enquanto os que relatam aumento significativo diminuíram de 24% para 21%.

Em outras palavras: as medidas funcionam em termos de política pública, mas sua tradução em sentimento eleitoral parece estar se esgotando. A política social dá sustentação, porém perde força para ampliar a base de apoio. Isso deixa o governo numa posição vulnerável: controlar narrativa e resultado econômico para converter benefícios em ganho político exige continuidade de boas notícias e ações visíveis — algo que a pesquisa sugere não estar ocorrendo de forma consistente.

Um dado complementar é o diagnóstico sobre o rumo do país: 55% dos entrevistados julgam que o Brasil caminha na direção errada, contra 38% que veem o caminho certo. Esse pessimismo estrutural é um vento contrário potente. Mesmo com aprovação relativa ao governo, a percepção maior de que o país vai mal tende a limitar a capacidade de transformar políticas públicas em capital político sustentável.

No campo eleitoral, a Quaest também colocou cenários de voto: Lula aparece com 39% no primeiro turno e 44% num eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que teria 30% e 39% respectivamente. Esses números mostram liderança, mas não margem folgada suficiente para dissipar riscos estratégicos, especialmente se a tendência de efeito marginal das políticas sociais continuar a arrefecer.

Conclusão: estabilidade não é sinônimo de consolidação. Para além de manter índices de aprovação próximos aos atuais, o Palácio precisa de medidas que revertam o desgaste marginal — seja com avanços econômicos que as pessoas percebam no bolso, seja com comunicação e gestão capazes de tornar mais visíveis os resultados. Caso contrário, o que hoje parece um empate técnico pode se transformar em terreno político cada vez mais hostil, especialmente se a percepção popular sobre a direção do país não for revertida.

A pesquisa, registrada sob o número BR-06591/2026 no TSE, entrega um recado claro: governar já não basta; é preciso convencer que se está governando melhor.


Fonte: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral/noticia/2026/08/05/quaest-avaliacao-governo-lula-agosto-2026.ghtml