A mais recente sondagem da Quaest confirma algo que já vinha sendo percebido no mercado político: Luiz Inácio Lula da Silva permanece à frente em cenários de segundo turno, mas a folga que parecia confortável no início do ano está encolhendo. No confronto direto com Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 44% das intenções, contra 39% do deputado do PL — uma diferença de cinco pontos que, embora ainda favorável ao presidente, não dá margem para acomodação.
O recorte temporal da pesquisa (31 de julho a 3 de agosto) e seu tamanho amostral (2.004 eleitores) dão robustez ao levantamento, cuja margem de erro é de dois pontos percentuais. É relevante destacar que, em relação a julho, Lula recuou um ponto e Flávio avançou dois, reduzindo a vantagem de oito para cinco pontos. Em termos estatísticos, a diferença está acima da margem de erro, mas a tendência é clara: o duradouro colchão do incumbente vem se comprimindo.
Além do duelo com Flávio, a Quaest testou outros adversários e, em todos os cenários, Lula mantém liderança: 46% a 34% ante Romeu Zema; 45% a 37% contra Ronaldo Caiado; e 45% a 35% frente a Renan Santos. Esses números mostram um presidente com prevalência consistente, mas não hegemônica — circunstância que exige atenção da campanha governista tanto na frente eleitoral quanto na mobilização de apoios e na agenda de temas que mobilizam indecisos e eleitores de centro.
Outro elemento que merece interpretação cuidadosa é o comportamento dos votos brancos, nulos e dos indecisos. No confronto Lula x Flávio, 13% responderam que optariam por branco ou nulo, e 4% se declararam indecisos. Em outras combinações, o percentual de brancos/nulos chega a 16%. Ou seja, existe um contingente relevante de eleitores que pode ser persuadido ou que pode simplesmente optar por não participar do pleito — um fator que pode alterar cenários apertados.
A pesquisa também revelou as taxas de rejeição, um termômetro mais cru da viabilidade eleitoral. Flávio Bolsonaro tem rejeição de 54%, ante 52% de Lula. Em julho, esses índices eram 57% e 50%, respectivamente: Flávio recuou três pontos em rejeição, enquanto Lula subiu dois. Essas movimentações sinalizam que, embora ambos carreguem níveis altos de rejeição — algo que tende a polarizar a disputa e a tornar cada voto mais disputado —, Flávio conseguiu reduzir em parte o estigma que o impede de crescer mais rapidamente.
Rejeição elevada implica que a vitória dependerá tanto de fidelizar a base quanto de convencer eleitores de candidatos eliminados. Para Lula, o desafio é reduzir sua margem de rejeição e manter a coalizão que o levou ao governo. Para Flávio, ampliar o conhecimento positivo e transformar redução de rejeição em intenções de voto concretas será determinante. Em uma disputa onde indecisos são apenas 4% e os brancos/nulos somam duas dígitos, a capacidade de convencer abstencionistas ou de neutralizar votos contrários pode ser tão decisiva quanto a atração direta de eleitores adversários.
Por fim, o cenário econômico e narrativas políticas que venham a dominar o debate público nas próximas semanas podem acelerar as movimentações que agora parecem graduais. Pesquisadores, campanhas e investidores olharão para a tendência: a corrida não é estática. Lula mantém vantagem, mas o encolhimento do espaço de segurança mostra que o jogo segue aberto — e que pequenas oscilações, mobilizações ou tropeços podem redesenhar o mapa eleitoral até o momento das urnas.
Fonte: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral/noticia/2026/08/05/quaest-2o-turno-lula-flavio-bolsonaro-agosto-2026.ghtml